Thursday, November 13, 2014

518.

ricardo jacinto
segmentos

inauguração | 13 Novembro | 22h00

concerto_instalação
para violoncelo, objectos e electrónica | 13 Novembro | 22h30

14 Novembro — 6 Dezembro, 2014

Francisco Fino Projects
no | at
Appleton Square
Rua Acácio Paiva 27
1700-004 Lisboa





Medusa: Violoncelo Explodido de Ricardo Jacinto: uma janela aural sobre os mecanismos da música. (english version below)


A performance de Ricardo Jacinto (Medusa: Violoncelo Explodido) é uma manifestação explícita de uma verdade habitualmente silenciosa sobre a relação entre um intérprete, um instrumento musical e um ambiente de execução – de que as fronteiras entre estas entidades aparentemente distintas são, de facto, mutáveis. Diz-se que Jascha Heifetz, o lendário violinista, em resposta ao comentário de um fã de que o seu Stradivarius tinha um som maravilhoso, encostou o ouvido ao violino e respondeu “mas não ouço nada!” Esta pode ser apenas uma historieta que se conta, mas ilustra bem que é da interação precisa entre o intérprete e o instrumento – da intensidade do toque pessoal e da resposta à resistência e às potencialidades do sistema físico que é o instrumento – que se torna possível a emergência de um som plausível, convincente e belo, em boa verdade, a emergência de qualquer som. Além disso, o contexto no qual ocorre esta recusa íntima de fronteiras, tanto sociais como acústicas, adiciona mais uma camada complexa de interações ao conjunto: o ambiente no qual algo acontece contribui significativamente para o som que é produzido, a forma como este se projeta no espaço, e isto, por sua vez, devolve um feedback sensorial ao intérprete informando-o a cada momento nas suas decisões.

Ricardo Jacinto expõe esta verdade “escondida” por meio da amplificação, do exagero e da projeção. Transdutores colocados no interior do violoncelo revelam o som característico de pontos precisos no interior da estrutura física do instrumento, distribuindo estes sinais subtilmente diferentes em pontos externos precisos localizados no espaço arquitetónico da performance – exteriorizando e exagerando a separação espacial da estrutura interna secreta do violoncelo. Os pontos no interior do violoncelo que Jacinto decidiu “explodir” para o interior do espaço são cuidadosamente escolhidos em função das versões, subtilmente distintas, do som do violoncelo. Enquanto intérprete e improvisador, Jacinto conhece e chama a nossa atenção para o som das cordas que tocam no espelho de ébano, o sentimento de tensão aumentada e a “nasalidade” em torno do cavalete, o som mais suave e refletido no interior dos Cs do corpo do instrumento. Ao inscrever cada gesto feito sobre o violoncelo de forma ampliada na sala, os sons são mapeados através do espaço da performance e as suas diferenças destacadas, de modo subtil, frequentemente por tratamentos digitais, submergindo a audiência num novo e “virtual” corpo do instrumento.

Ricardo Jacinto não se limita a “virar o seu instrumento do avesso”, expondo os mais ínfimos detalhes da sua técnica. Enquanto arquiteto experiente, detém igualmente uma consciência aguda do potencial geométrico e dramático do espaço no qual atua, podendo inclusivamente dizer-se que, num sentido literal, “toca (n)o espaço”. Este é um facto significante para a sua audiência, dado que todas as nossas experiências interpessoais são informadas pela negociação da distância. O antropólogo Edward Hall introduziu (na década de 1960) a noção de “proxémica” – num mapeamento dos códigos de conduta tácitos que determinam se as nossas interações conotam uma relação íntima, local, social ou ambiental (com pessoas, sons, ou objetos). A manipulação que Ricardo Jacinto opera sobre estas várias distâncias amplia a nossa perceção da relação entre a tatilidade e a audição.

Em consequência, a performance levanta questões sobre a territorialidade, sobre o espaço público e o espaço privado. Ao expor de forma tão implacável a relação entre um corpo e um instrumento, e ao incorporar os corpos do público no resultado, Ricardo Jacinto questiona os limites do seu corpo. Evidentemente, estes limites são transcendidos aqui através da tecnologia, mas, pergunta-nos o artista, não é isto que a música sempre faz? Não existirá sempre uma transdução entre o meu corpo, enquanto executante, e o vosso – enquanto audiência, que é a própria condição da música? As impressões dos meus dedos, empurrando esta corda esticada, neste ponto específico e desta forma particular, ressoam em simpatia no interior do vosso sistema nervoso autónomo. E, à medida que me movo na direção do registo alto, por sobre a corda, uma parte da dificuldade de o fazer, da sensação de que estamos perante um sistema físico e acústico que se aproxima dos limites da sua viabilidade, transgride as fronteiras físicas entre os indivíduos, suspendendo-as temporariamente – tocando-vos a uma variedade de distâncias – que são, por vezes, íntimas, outras menos íntimas.

Esta permeabilidade das fronteiras entre os indivíduos ecoa a permeabilidade, referida inicialmente, entre o intérprete, o instrumento e o ambiente. A permeabilidade, que é a condição da música, é também a condição do ser-se humano. Ao criarem música, os seres humanos encontram um instrumento para o reconhecimento não apropriativo da alteridade - a suspensão das fronteiras do eu. As qualidades de empatia e curiosidade que nos tornam humanos são reforçadas. Assim, não causa surpresa que o “violoncelo explodido” adquira uma outra vida, afastada da sua orientação site-specific, na música de câmara de improviso, na qual grupos de músicos negoceiam e renegoceiam as fronteiras e as individualidades numa base instantânea.

Neste caso, porém, a performance precede e alimenta uma instalação que perdura por mais ou menos um mês depois do evento inicial. Os gestos físicos da performance inicial ao vivo são captados e beneficiam de uma “segunda vida” – ocupando o espaço arquitetónico para lá da presença do intérprete e ampliando o material musical num espaço temporal diferente. Talvez a densidade dos eventos musicais se desvaneça e a textura se torne cada vez mais esparsa à medida que a instalação opera para além do evento da performance ao vivo, num eco consciente da decomposição gradual de todos os sons com o tempo… Mas com um sistema digital investido com alguns aspetos de uma vida própria, quem sabe qual será o resultado? Existe uma qualidade de emergência nisto tudo, mais do que de desígnio, que trai o estatuto de Ricardo Jacinto enquanto improvisador e designer!

Simon Waters

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Ricardo Jacinto’s Medusa: Exploded Cello: an aural window into the mechanisms of music.

Ricardo Jacinto’s performance (Medusa: Exploded Cello) is an explicit manifestation of a usually silent truth about the relationship between a player, a musical instrument, and a performance environment, which is that the boundaries between these three apparently separate entities are in fact mutable. It may be a folk tale that Jascha Heifetz,, the legendary violinist, when told by a fan that his Stradivarius sounded wonderful, put his ear to the violin and replied “it doesn’t sound at all”, but such a tale illustrates well that it is the precise interaction between player and instrument - the intensely personal touch and response to the resistances and affordances of the physical system of the instrument - which makes a sound plausible, convincing and beautiful, indeed which makes sound at all. And the context in which this intimate refusal of boundaries takes place, both socially and acoustically, adds another complex layer of interactions to the mix: The environment in which something happens contributes significantly to the sound that is made, to the manner in which it projects into and around the space, and this in turn forms sensory feedback for the player, informing his or her moment-to-moment decisions.

Jacinto lays bare this ‘hidden’ truth by amplification, exaggeration and projection. Transducers within the cello disclose the characteristic sound of precise points within the instrument’s physical structure and distribute these subtly different signals to precise external points in the architectural space of the performance - externalizing and exaggerating the spatial separation of the cello’s secret inner structure. The points within the cello which Jacinto chooses to ‘explode’ into the room are chosen with care for their already subtly distinct versions of the cello’s sound. As an experienced performer and improviser Jacinto is aware of and draws our attention to the sound of strings touching the ebony of the fingerboard, the sense of enhanced tension and ‘nasality’ around the bridge, the softer and more reflected sound within the bouts of the instrument’s body. These are mapped across the space of the performance area, their differences often enhanced subtly by digital treatments, immersing the audience in a new ‘virtual’ instrument body. Every gesture made on the cello is written in larger form across the room.

And Jacinto is not only ‘turning his instrument inside out’ and laying bare the smallest details of his technique. As a trained architect he also has a heightened awareness of the geometric and dramatic potentials of the space in which he is performing, and is, in a very real sense, ‘playing the room’. This is significant for his audience in that all of our inter-personal experiences are informed by the negotiation of distance. The anthropologist Edward Hall introduced (in the 1960s) the notion of ‘proxemics’ - codifying the unwritten codes of conduct which determine whether our interactions connote an intimate, a local, a social or an environmental relationship (with people, with sounds, with objects). Jacinto’s manipulation of these various distances enhances our sense of the relationship between tactility and hearing.

By implication the performance asks questions about territory, about public and private space. By exposing the relationship between one body and one instrument so ruthlessly, but incorporating the bodies of the audience within the result, Jacinto asks what are the limits of his body. Of course these limits are transcended here through technology, but, he asks us, isn’t this what music always does? Isn’t there always a transduction between my body, as a performer, and yours - as a listener, which is the condition of music. Some traces of my fingers, depressing this taut string, at this particular point, and in this particular way, resonate sympathetically within your autonomic nervous system. And as I move into the high register on the top string, something of the difficulty of doing so, of the sense that this is an acoustic and physical system approaching the upper limits of its viability, transgresses the merely physical boundaries between individuals, temporarily suspending them - touching you at a variety of distances - some intimate, some less so.

This permeability of boundaries between individuals echoes the permeability with which we began - between performer, instrument, and environment. The permeability which is the condition of music is also a condition of being human. In music-making human beings find a crucible for a non-appropriative acknowledgement of otherness - a suspension of the boundaries of the self. The qualities of empathy and inquisitiveness which make us human are enhanced. So it’s no surprise that the ‘exploded cello’ has another life, away from its site-specific orientation, in improvised ensemble music, where groups of musicians negotiate and renegotiate boundaries and selfhoods on a moment-by-moment basis.

In this case however, the performance precedes and feeds into an installation which lasts approximately a month after the initial event. The physical gestures of the live performance are captured and have an ‘after-life’ - occupying the architectural space beyond the presence of the player, and extending the musical material into a different time frame. Perhaps the density of musical events will lessen and the texture become sparser the longer the installation operates beyond the live performed event, in a conscious echo of the gradual decay of all sounds in time… But with a digital system that is invested with some aspects of a life of its own, who knows what the eventual result will be. There’s a quality of emergence, rather than design, about this, which betrays Jacinto’s status as an improviser as well as a designer!

Simon Waters















Sunday, November 9, 2014

517.


vasco araújo
dia positivo

12 e 13 de Novembro pelas 18.30h
no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian
(entrada paga)

Tuesday, October 14, 2014

516.

Performance na SUB-40


SÁBADO, 18 OUTUBRO 2014
17h15 | Galeria
Não Temos de Morrer Pelo Euro, 2`
Susana Chiocca
18h00| Galeria
Queda/Fratura
Performance de Vera Mota
18h15| Exterior da Galeria
Verse$
Performance de Flávio Rodrigues
18h30 | Exterior da Galeria
Bitcho, 20`
Performance-concerto de Susana Chiocca
19h15 | Auditório da Biblioteca
Performance musical de Jonathan Saldanha







SÁBADO, 6 DEZEMBRO 2014
Conferências:
_ Painel 1 | 16h00
Artistas-curadores: práticas críticas nas estruturas independentes do Porto
por Sandra Vieira Jurgens
Professora, investigadora e crítica de arte
Uma Sala para a performance
por Susana Chiocca

Artista, professora, curadora e investigadora


SÁBADO, 10 JANEIRO 2015
17h30 | Galeria Municipal Almeida Garrett
Porcelana, 2014, 15`
performance de Flávio Rodrigues com a colaboração de Bruno Senune e Joana Castro
17h45 | Auditório da Biblioteca
Mountain Mouth, 2013, 25`
Vídeo-performance de Catarina Miranda
18h15 | Auditório da Biblioteca
Afinação de Piano em Lá 440Hz, 2014, 20`
Performance de Vera Mota

Thursday, October 9, 2014

515.


pedro barateiro
sad savages
16 de Outubro, 22h30

514.

manuela são simão
no woman is an island




















no âmbito do terceiro aniversário do CAAA
4 de Outubro, 16h
imagens: Eduardo Simão
+info: http://www.guimaraesnocnoc.com/

Friday, September 19, 2014

513.

pedro tropa
quase meio-dia



Appleton Square
Rua Acácio Paiva, 27, R/c, 1700-004 Lisboa
+351210993660
geral@appletonsquare.pt
www.appletonsquare.pt
www.appletonsquare.blogspot.com
Horário: 3ª a Sábado das 14h às 19h



512.


A antecipar o arranque do 10º Circular Festival de Artes Performativas, a publicação "Cuidados Intensivos" vai ser apresentada no próximo Sábado, 20 setembro, 16:00, no Centro de Memória de Vila do Conde. Cristina Grande, Helder Dias, Joclécio Azevedo e Susana Medina são os convidados para a sessão (entrada livre).

Esta publicação encerra o programa de encontros, performances e exposições que decorreu de Março a Setembro de 2013 em Vila do Conde, com concepção e coordenação de Joclécio Azevedo.

http://www.circularfestival.com/

Design © João Alves Marrucho

Thursday, September 18, 2014

Wednesday, September 17, 2014

510.

ana rita teodoro
MelTe
1 Outubro/October, 18:45, Basílica Real (Praça do Município)/Travessa da Palha, Castro Verde




apresentações públicas finais
Os projectos criados e desenvolvidos entre 1 de Maio e 30 de Setembro, nas residências de criação que decorreram em Ourique e Castro Verde, são agora apresentados.
Dando a conhecer ao público e aos criadores os principais espaços do território – Ourique, Grandaços, Panóias e Castro Verde.

ATALAIA
Câmara Municipal de Ourique
+
Direcção Regional de Cultura do Alentejo
Faculdade Belas-Artes, Universidade Lisboa
Faculdade C. H. Sociais, Universidade Algarve

+ info: http://www.atalaiaartes.tk/

Sunday, September 14, 2014

509.

ricardo jacinto
explodido (partes escolhidas #2): concerto/instalação para violoncelo, objectos e electrónica








13 de Setembro, 20h
da fábrica que desvanece à baía do tejo
Antiga Companhia União Fabril

Friday, September 12, 2014

508.



ritual
mostra performance
13 de Setembro

17h | Albuquerque Mendes
E O QUE HEI-DE AMAR SENÃO O ENIGMA? ( Espaço MIRA)
17h30 | António Melo
Performance no pátio (pátio_MIRA)
18h | Lara Morais
Esfericamente em múltiplas direcções (A4_Mira)

no âmbito da exposição colectiva Ritual II da radicalização do mundo que inaugura às 16h no Espaço MIRA com Alberto Carneiro, Albuquerque Mendes, Ângelo Ferreira de Sousa, António Melo, Beatriz Albuquerque, Rossana Mendes Fonseca, Catarina de Oliveira, Lara Morais, Pedro Magalhães

Curadoria de Patrícia do Vale
13 Setembro a 25 Outubro
Espaço MIRA
Colaboração Espaço MIRA / Encontros da Imagem


507.

filipa césar
golden visa or the "disposing of the discredited" 

opening lecture | palestra de abertura









“Golden Visa” é o nome dado a um convite do governo Português dirigido a não-europeus ricos para facilitar a obtenção de autorização de residência, assim como um conjunto de privilégios fiscais, sempre que um requerente planeie investir mais de meio milhão de Euros no país. Simultaneamente, o governo convidou oficialmente os cidadãos Portugueses mais pobres e desempregados a emigrar. Dois convites, uma entrada.

Com GOLDEN VISA or the disposing of the discredited a peça como entrada da exposição na Cristina Guerra Contemporary Art, César chama a atenção para o facto de o visa funcionar como um íman, um trânsito, uma passagem, uma autorização e um privilégio que implica necessariamente um inverso, a política de migração dentro das fronteiras de uma Europa fechada num contexto de crise económica. Aqui, golden (dourado) é também referente aos aspectos materiais e imateriais do sujeito principal das peças apresentadas na exposição – o solo.

"Assim, a eliminação dos desacreditados pode ser vista como um projecto Europeu com várias frentes, rica em parcerias público/privadas: envolve deixar afogar os imigrantes Africanos no mar Mediterrâneo, criar condições de vida insuportáveis para populações consideradas indesejáveis, como os Roma, empurrar para o suicídio um número crescente de empregados não suficientemente flexíveis, apagar dos registos oficiais todos os vestígios de uma grande parte dos desempregados, e, em países como a Grécia, Portugal e Irlanda, encorajar mais e mais jovens a emigrar."
*Michael Feher, 2014

Golden Visa abrange dois corpos de trabalho inter-relacionados, variando entre colagens, material de pesquisa, práticas de cinema, objectos e uma palestra de abertura.

O filme-ensaio Mined Soil conduz-nos através de uma revisitação do trabalho do agrónomo Guineense Amílcar Cabral, do estudo sobre a erosão do solo na região do Alentejo, em Portugal, no fim da década de 40, até ao seu envolvimento como um dos líderes do Movimento de Libertação Africano. Esta linha de pensamento é entrelaçada com documentação actual sobre uma operação experimental de mineração de ouro conduzida por uma empresa Canadiana, situada na mesma região de Portugal que foi estudada por Amílcar Cabral. Este ensaio explora passadas e presentes definições de solo como um repositório de memória, vestígio, exploração, crise, arsenal, tesouro e palimpsesto. Na exposição, o filme-ensaio é apresentado numa instalação espacial cuja estrutura formal é uma plataforma física que cita o mapeamento de uma das várias áreas licenciadas para a exploração de ouro em Portugal. A instalação continua com minas simuladas, produzidas à mão, modeladas à imagem das que já foram encontradas em campos minados.

Os trabalhos em papel Operations são extraídos de material de pesquisa, como desenhos técnicos do exército Português sobre a composição de minas terrestres — e o seu mapeamento estratégico no campo de batalha — colocadas pela guerrilha Guineense durante os 11 anos da guerra de libertação, assim como fotografias tiradas na Guiné-Bissau durante a pesquisa de César, e também arquivos militares. As colagens são referentes a estruturas vivas cristalinas e a operações geométricas, reflectindo uma abordagem multifacetada de temas e narrativas “fixas”.

De Golden Visa, a peça na parede de entrada, passando pela instalação e filme Mined Soil, e a série de trabalhos em papel Operations, César utiliza vários conceitos de solo para revelar a possibilidade de desafiar narrativas históricas, o solo como metáfora operacional que nos mostra como os recursos naturais estão integrados num conjunto complexo de condições geopolíticas que informam a vida contemporânea.

Através da combinação de material de arquivo reactivado e material recentemente filmado, César continua o seu trabalho meticuloso, uma aliança inquieta entre subjectividades, relatos, documentário e cinema ensaio.

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The governmental invitation directed at wealthy non-Europeans to ease residency permits in Portugal when the applicant plans to invest over half a million Euros in the country, is linked with tax privileges and what is called the “Golden Visa.” Simultaneously, the government publicly invited unemployed and less privileged Portuguese citizens to migrate elsewhere. Two invitations, one entrance.

With Golden Visa or the disposing of the discredited as the title and entry piece to the show at Cristina Guerra Contemporary Art, César is pointing out that a visa functions as a magnet, a transit, a passage, a permit and a privilege that necessary implicates its reverse, the migration politic within the borders of gated Europe in the midst of economic crises. Here, golden also refers to the material and immaterial aspects of the primary subject of the works presented in the show ¬– soil.

"Thus, disposing of the discredited can be analyzed as a multidimensional European project, rich in public/private partnerships: it involves letting African migrants drown in the Mediterranean sea, making life unbearable for allegedly undesirable populations such as the Roma, pushing an increasing number of insufficiently malleable employees to suicide, erasing all traces of a large proportion of the unemployed from official registers, and, in some countries such as Greece, Portugal and Ireland, encouraging more and more young nationals to migrate."
*Michel Feher, 2014

The exhibition comprises two further interrelated bodies of work that range from collages, research material, experimental film, sculptural objects to an opening lecture.

The film essay Mined Soil takes us on a wandering path to revisit the work of the Guinean agronomist Amílcar Cabral, studying the erosion of soil in the Portuguese Alentejo region at the end of the 40’s through to his engagement as one of the leaders of the African Liberation Movement. This line of thought is intertwined with current documentation on an experimental gold mining site operated by a Canadian company and located in the same Portuguese area once studied by Cabral. The essay explores past and present definitions of soil as a repository of memory, trace, exploitation, crisis, arsenal, treasure and palimpsest. In the exhibition the film essay is presented in a spatial installation where the formal framework is a physical platform citing the shape of one of the many areas licensed for gold mining in Portugal. The installation continues with handcrafted, simulated “mock” mines that are modeled on the ones found in mined fields.

The paper works Operations are extracted from research material such as technical drawings from the Portuguese military on the composition of land mines – and their strategic mapping on the battlefield – placed by the Guinean guerrilla forces during the 11 year long liberation war and photographs taken during César’s research in Guinea Bissau and military archives. The collages themselves refer to living crystalline structures and geometrical operations, reflecting a multi-faceted approach towards “fixed” subjects and narratives.

From the entrance wall piece Golden Visa, through the installation and film Mined Soil and the series of works on paper Operations, César uses various concepts of soil to expose the possibility of challenging historical narratives, soil as an operational metaphor that unfolds how natural resources are implicated within a complex set of geopolitical conditions that inform contemporary life. Through the combination of re-activated archival material and recently shot material, César continues her careful work of an uneasy alliance of subjectivities, story telling, chronicle, documentary and experimental film.



Cristina Guerra Contemporary Art
11 Setembro September - 11 Outubro October

Wednesday, August 6, 2014

506.


hákarl & diana policarpo
dança bruta

A cilice of sculpture, dance, penitence. Curating artistic desire into self-destruction. An act, performance, dramaturgy, circling around ab/rogation as the white-hot piston. Perspicuity (as if!): dance is haunted by electricity, muscular convulsions; sculpture hides by ‘being’ static; sound is only ever the most proximal despondancy of material, fabric.
Electrocuting the whole affair with a dance piece for non-dancers, a momentary, collapsing installation establishing volatile borders, masochism wrought from pietism, all hair-shirts and collapsing comfort into performance.
Hákarl is a musician/ writer/ wage-slave, former arts-music curator of Supernormal (for bangthebore.org) and performed for 36 hours at Supernormal 2011.
Diana Policarpo is a visual artist. She composes and improvises time-based components for polyrhythmic sound sculptures and performative installations.

Dança Bruta is a multi-channel composition and live performance.

http://www.supernormalfestival.co.uk/
http://www.supernormalfestival.co.uk/acts/hakarl-danca-bruta-you-say-d-a-n-ss-a-brr-u-t-a/

Thursday, July 24, 2014

505.


beatriz albuquerque
predict the future through chocolate

26th July 2014
, 10 pm
It is a durational performance that will last between 1h to 2h

at POSTE
Rua do Bonjardim, 1176 - Porto, Portugal
http://www.exteril.com/poste/exhibitions.html

Beatriz Albuquerque is an interdisciplinary and cross media performance artist 
living between Porto and New York. 
"Predict the Future through Chocolate", is an interactive performance that will be presented for 
the first time at POSTE. In an intimate and informal context, the performance will invite everyone from 
the audience to learn about their future through the reading of chocolates by the shaman Beatriz 
Albuquerque. The chocolates will be thrown like dice. It will be up to the public to believe it or not!

Manuela São Simão is curating the cycle of exhibitions STILL(S) - TRYING TO CHANGE
3 for POSTE.

Thursday, July 3, 2014

504.


joão onofre
box sized DIE featuring Unfathomable Ruination

Opening Sculpture in The City
3 July 6pm - 8pm
St. Mary Axe, EC3A, London


Box sized DIE featuring Unfathomable Ruination, by Portuguese artist João Onofre, will be placed outside The Gherkin with a selection of Death Metal music performances taking place throughout the summer. Measuring 183 x 183 x 183cm, this steel cube come to life with a set from the London based Death Metal band, Unfathomable Ruination. Following the band’s entrance, the sculpture is hermetically sealed and sound proofed, meaning the duration of the performance is entirely variable, determined by and restricted to the length of time that oxygen is expended. Activated, the work offers an invisible show contained in a closed space. Only the residues of the sound vibrations attest to the inner performance.


This will be the first time that João Onofre’s sculpture has come to London, having toured extensively through Europe at venues including Palais de Tokyo, Paris, France; Barcelona Museum of Contemporary Art (MACBA), Barcelona, Spain and Art Basel, Basel, Switzerland. The sculpture takes direct influence from Tony Smith’s pioneering minimalist sculpture Die (1962) having identical dimensions to Smith’s work.

The open air exhibition that draws visitors into the City, transforming the EC3 insurance area also includes works from internationally renowned artists: Cerith Wyn Evans, Lynn Chadwick, Ben Long, Julian Wild, Nigel Hall, Paul Hosking, Peter Randall-Page, Antony Gormley, Jim Lambie and Richard Wentworth. In its fourth year, Sculpture in the City aims to enhance our urban environment with cutting-edge contemporary works from leading artists which are placed in both busy thoroughfares and quieter, green spaces.

Sculpture in the City is a unique collaboration between the City of London Corporation (the elected body which looks after the Square Mile global business district around St Paul’s), local businesses and the art world, providing the opportunity to engage new audiences with established and emerging contemporary artists. Sculpture in the City is delivered through a partnership between 30 St Mary Axe, Aon, Aviva, British Land, Brookfield Office Properties, Hiscox, Tower 42, Willis and WRBC Development UK Limited with the additional support of project patrons Leadenhall Market and MTEC.With thanks to the artists and galleries; Annely Juda Fine Art; Blain Southern; Lisson Gallery; Lucy Drury; Marlborough Contemporary; New Art Centre, Roche Court Sculpture Park; Sadie Coles HQ; White Cube; William Benington Gallery. Sculpture in the City is facilitated and delivered by the City of London Corporation.

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related articles:
http://www.euronews.com/2014/07/04/death-metal-band-in-a-black-box-equals-performance-art/
http://www.independent.co.uk/arts-entertainment/art/news/death-metal-band-to-play-in-soundproof-airtight-box-in-london-9572606.html
https://www.youtube.com/watch?v=Ho2CI6s8gds
http://video.tagesspiegel.de/3658827236001